Entrevista para a Zupi onde eu falo sobre como surgiu o projeto e como me identifico com ele em cada sessão que eu faço.

Entrevista para a Zupi onde eu falo sobre como surgiu o projeto e como me identifico com ele em cada sessão que eu faço.

Como surgiu a ideia do projeto?

Sete anos atrás enquanto morava ainda em Montreal no Canadá duas coisas mudaram para sempre a minha vida como mulher: A maternidade e a mudança para uma profissão conectada ao meu coração (eu era publicitária há 10 anos e tinha largado tudo para ir pro Canadá estudar fotografia e recomeçar). Comecei, mesmo que sem saber, uma intensa jornada em direção ao meu centro, acessando valores e características muito intensas e femininas dentro de mim. Minha vida e profissão se misturaram e logo em meus primeiros projetos fotográficos o universo feminino esteve sempre muito presente. Minhas primeiras fotografias profissionais foram de mulheres e cheguei até a abrir um site em Montreal com uma amiga minha onde fazíamos ensaios femininos. Desde então venho fotografando mulheres em diferentes fases da vida, percebendo através das minhas lentes que cada uma delas vivia um ciclo peculiar. Depois de 5 anos em Montreal voltei ao Brasil decidida a seguir a carreira na fotografia e procurei uma grande amiga e mentora (Mariana Cogswell, fundadora do projeto Plano Feminino) que faz um trabalho incrível de Coach e empoderamento feminino. Durante o projeto identificamos meu trabalho como sendo sobre os CICLOS DO FEMININO e então passei a usar essa hashtag nas minhas fotos. Eu sabia que isso iria virar “algo” um dia só não sabia o que naquela época. Assim, no começo deste ano estava participando da feira “Fotografar”, onde inclusive já dei palestras dois anos consecutivos e um congresso de um grande amigo e fotógrafo Renato DPaula  que me tocou profundamente. Ele falou sobre a “nova” fotografia documental que está entrando na fotografia de família e me deu um estalo “É ISSO QUE EU QUERO FAZER!” e assim juntei todos os pontos e criei o Projeto CICLOS DO FEMININO como sendo a minha voz dentro do movimento da fotografia de momentos verdadeiros e reais. Escolhi os sete ciclos da vida – representando infância, adolescência, casamento, gestação, maternidade, maturidade e terceira idade -, baseados na máxima de que a vida transcorre de 7 em 7 anos. Em um mundo onde mulheres buscam seu lugar e seu empoderamento, o projeto é, acima de tudo, um convite ao nosso auto-conhecimento.

 Você tem um carinho especial por alguma das fases?

Eu me sinto conectada com os ciclos pelos quais já passei, acho que isso deve ser normal né?(rs) Então obviamente a infância é especial pra mim principalmente pelo fato de estar documentando a minha filha. Além disso, a gestação e maternidade também me tocam pelo fato de terem sido tão transformadoras para mim, aonde tudo isso começou.

 Como está a identificação do público com o projeto?

Certamente maior do que eu esperava porque além da novidade da Fotografia Documental dentro da fotografia de Família já ser por si só uma surpresa (passar 24hs com uma família fotografando momentos do dia a dia é um trabalho bem novo aqui no Brasil, a maioria das pessoas nem sabem que isso existe) o projeto toca e conversa com as mulheres e mostra muitas coisas que estão escondidas dentro da gente, como as angústias e medos do dia do parto, ou a dura rotina de ser mãe. Mês passado estava procurando uma super mãe para ilustrar a fase da maternidade, pois uma amiga minha, mãe de 4, ia fazer mais na hora ela precisou cancelar. Então postei em 3 grupos fechados de mães no Facebook, falei sobre o projeto e pedi indicações de mães que tivessem mais de 3 filhos e topassem a jornada. Recebi muita gente e foi lá que conheci a Dani, mãe de 7 filhos. Uma semana depois eu estava em Campinas fotografando a família dela.  Acho que nunca recebi tanto comentário em um post meu. :))

Que mundos criamos a partir do que vemos?

Que mundos criamos a partir do que vemos?

O CICLO DA MATERNIDADE.

O CICLO DA MATERNIDADE.