Opinião: A puta, a louca e a bruxa

Opinião: A puta, a louca e a bruxa

Este é um dos textos mais inspiradores que eu já li nos últimos tempos. Escrito por Mariana Cogswell, Coach, amiga e minha irmã de alma ela fala tudo que o mundo deixa do lado oculto sobre o feminino e a feminilidade. Tudo aquilo que não estamos "autorizadas" a falar ser e sentir.

Abaixo algumas passagens que eu mais gosto e para os mais OUSADOS leiam aqui o texto na íntegra que não é pra qualquer um!

"Cabem ao feminino suavidade e doçura, mas não cabem intensidade e agudez; cabem acolhimento e sabedoria, mas não cabem firmeza e solitude. Cabem cuidado e cura, mas – imagine só... - não cabem instabilidade e complexidade." Quem será que foi o editor conceitual que nos definiu nesses contornos, insuficientes para expressar a nossa vastidão?

Se o feminino é o significante essencial da identidade de uma mulher, quem é que modera o drama entre a casca que não nos cabe e a vida possível de ser vivida? Em nome de amor e aceitação, a mulher amputada "encolhe para caber".

Nesse movimento, surgem cenários em que o feminino e a mulher se desencontram: há aquelas que assumem indevidamente o masculino, desonrando o seu feminino e esvaziando o significante do que é ser mulher; há também a proposta de um "desempate por cima", que prega uma idealização de união entre gêneros, ignorando (ou temendo olhar para) distinções, comportamentos, biologia e cultura.

Na falta de melhores recursos relacionais, apelamos para o "todos somos um", como se fosse uma panaceia mágica para um mundo difícil, de diferentes vivendo em conflito. É uma ilusão do tipo "se eu parar de olhar, não existirá mais" - como a criança que acredita ficar invisível tampando os próprios olhos.

É também a ilusão de que as diferenças impedem a igualdade. Na verdade, essa comunhão entre os seres só acontece quando nos reconhecemos e nos reencontramos nas diferenças. Assim estamos prontos para o diálogo, que só pode se dar entre iguais.


Se começássemos a responder o que é ser mulher, seria provável ficarmos na estética e nos conceitos do feminino "bonitinho e fofinho". Esse feminino que se diz necessário para salvar a humanidade e o planeta. Esse que passa um verniz na nossa inteireza e mostra só o que interessa, exaltando como nobre e belo o que aparece e assim, por omissão intencional, deixa a parte que não convém na sombra. Na ignorância ignorada. Negada e negativada na cultura. Queremos nutrir relações humanas ignorantes de si? O que podemos esperar da humanidade a partir de matrizes desentendidas?


É preciso trazer à tona a parte amputada de nós mesmas: para onde não olhamos, porque não é apropriado. É feio, então fica no submundo.

A puta conta a história da sensualidade censurada. A mulher inteira tem uma conexão natural com seu corpo, como um ente que pulsa com a natureza: com os ciclos de vida, com as marés, com os ventos, com o potencial gestador e preservador da vida.

A louca conta a história da negação da escuta do sagrado. Quando uma mulher está amputada dessa escuta, por ser algo intangível, "bobeira", "cisma", "coisa de mulher" (e "mulher" nesse contexto é depreciativo, por ser muito vago); perde a preciosidade do discernimento que a distingue.

A bruxa conta a história do sufocamento das emoções densas. A mulher amputada foi ensinada a temer o que não controla: a obscuridade apavora e a ideia da morte assombra. Ela fará de tudo para afastar as emoções "más" e essas a acompanharão pela simples lei da atração. A sombra atrai luz e a luz revela o que a sombra obscurecia.

Nós mulheres trazemos em nosso DNA o poder da cura e transmutação. Somos alquimistas por natureza. Manejamos energia. Fomos desenhadas para empreender e desemaranhar sombras, esclarecendo o que estava obscurecido. Nossa montanha russa afetiva nos dá repertório e confiança para mergulhar nos meandros mais profundos do ser e restaurar o que pede para ser honrado. Uma mulher inteira, íntegra e autorizada tem uma ligação íntima com ciclos: sabe que não há morte, só mudança. É testemunha da sabedoria ancestral que nos acompanha na jornada continua para dentro e fora do fim e começo."

O início do meu 4o setênio.

O início do meu 4o setênio.

Exposição "Elas".

Exposição "Elas".