O início do meu 4o setênio.

O início do meu 4o setênio.

Há dois anos atrás, aos 36 anos, eu vivi por quase 1 ano a experiência de um grande amor. O primeiro e único até então, de verdade,que eu achei que fosse durar para sempre.
Após 8 meses por razões que a vida explica, ele desistiu e eu me encontrei no maior e igualmente único buraco amoroso da minha vida.

9 meses, uma gestação.
Uma gestação minha comigo mesma.

Foi uma dor imensa. Aquelas que a maioria das pessoas se recusa a enfrentar “ah! bobagem! bola pra frente!” “ele não te merece” “a fila anda” e todas essas baboseiras que as pessoas falam pra você nessas horas.

Me fez pensar em muitas coisas. Refleti muito sobre os meus dois divórcios (sim DOIS) anteriores em que fui eu quem pediu pra sair. Meu Deus, como isso dói. Passei a perdoar a dor do outro, o sofrimento, o luto, as mágoas.
Por outro lado, percebi, neste e nos relatos de mil outras pessoas que conheci durante este tempo: porque a pessoa que resolve seguir seu caminho sozinha sem você precisa se tornar um monstro? Quer dizer... poxa... ela só não quer mais ficar com você! A não ser que o outro tenha feito uma puta sacanagem, a outra pessoa continua sendo ela... com todas as qualidade e defeitos pelos quais você se apaixonou em primeiro lugar.
Esta lógica é muito dolorida mas acho que todas as atitudes maduras e amorosas que tomamos na vida são assim né? Afinal você chega à conclusão que a outra pessoa continua legal, incrível, massa e só resta aceitar a humilde realidade: ela não te quer mais e ponto.

Eu precisava fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Voltava de outro país, sozinha, com uma filha pequena. Mudava de profissão e montava meu primeiro negócio. Foi um grande buraco de tudo!
Foi um mix de milhões de coisas que durante esta “gestação de mim mesma” eu não via mais nada, eu só remava.
Logicamente comprei uma prancha!

Eu já havia começado a surfar e era a minha segunda grande paixão, na qual me segurei com todas as forças que eu pude como quem leva um caldo em dias de mar grande. Igualzinho.

9 meses que eu me senti horrível.
9 meses que eu me senti cansada, com dor, com olheiras.
Minha filha foi fundamental neste processo. Eu era obrigada a levantar... todos os dias! E por 5 meses eu chorei absolutamente todos os dias.

Minha sorte viver num Universo que me ajuda sempre.

Encontrei muitas pessoas que me inspiraram no caminho. Grandes amigos, grandes fotógrafos, escritores, artistas, pesquisadores, pessoas que viajam o mundo, que fazem o que amam, que ausam (e até conheci um cara que vai numa missão pra Marte! rs). Que cuidam do corpo, da cabeça e da alma.

Fiz personal coach e image coach com duas grandes amigas que tiraram o melhor de mim e arrancaram pra fora uma pessoa que queria viver.
Juntei todas as forças que me restavam e coloquei minha empresa no ar.
Criei uma vida com a minha filha, um relacionamento baseado na verdade e na amizade, única formula verdadeira e duradoura que encontrei.
Mudei minhas métricas de sucesso.
Vendi e doei metade do meu guarda-roupa... metade mesmo.
Me joguei no esporte. Mudei alguns hábitos. Participei de competições e incorporei o surfe, coisa que já devia ter feito desde criança. O esporte me ensinou a superação.
Reencontrei amigos de infância, mudei o cabelo, as cores, as unhas, o sofá, comprei um piano e voltei a tocar.
Ao invés de procurar um tapa buracos “você precisa sair pra conhecer gente!”. Porque isso? Da onde saem estas regras?, eu procurei por mim mesma.

9 meses.

As pessoas precisam entender que nada é pra sempre. Ninguém é de ninguém e que a a paz que a gente procura está dentro de nós, já dizia Roberto Carlos e ainda diz Marcelo Falcão. Precisam entender que para se ter o que se gosta é preciso VIVER o que se gosta, na profissão, nos relacionamentos, nos hábitos, no dia a dia.
Saber o que se quer é fundamental e a única maneira de acessar esta informação é entrar em contato com o ser mais profundo que há dentro de você e este caminho você só percorre com uma ferramenta: coragem.

Coragem para enfrentar todo perrengue que vem junto, porque nada é de graça. Eu quero: muito amor, muita autonomia, muita liberdade, muito tesão e verdade acima de tudo. Por tudo. Isso tem um preço a pagar, mas eu banco feliz. O contrário eu não conseguia viver. Não consigo fazer joguinho, viver mil relacionamentos superficiais ao mesmo tempo, vestir máscaras, me diminuir ou me aumentar para caber. Eu só consigo ser eu. Me chamem de velha, mas sim sou old-fashion some times.

Fui criada na cultura do sacrifício. Aos poucos fui trazendo à consciência que ao mesmo tempo em queas pessoas, infelizmente, dão muito mais valor àquilo que vem com sacrifício, com dor e com drama, a abundância só flui de verdade quando você segue o seu coração, Ah... como o coração é mal interpretado....
Joguei um monte de parâmetros e regras fora e troquei tudo por autenticidade, verdade euma vida baseada no tesão e no dom. Instinto e feeling não exigem, você apenas "sabe" é fácil. Difícil é bancar!
Todas as coisas mais maravilhosas que me aconteceram vieram “assim, do nada menina!”. Pois é....

Ok, você pode dizer “aaaa mas você faz isso porque pode!”... Será que é este o argumento? Ou é apenas uma das dez milhões de desculpas que as pessoas encontram para se auto-sabotar, tipo “aaaa mas fulano é rico”, “fulano é solteiro”, “fulana é linda e magra”, “ele é novo ainda”, “eles não tem filhos”, “mas eu não tenho olho azul”.... E todas as coisas que você tem e que aquele fulano que fez o que você queria fazer não tinha?

Porque a pessoa que te deixou é um monstro? Porque você está sofrendo? Neguinho... até onde eu sei, você topou encarar o relacionamento também e isso exige riscos.
Seu trabalho é uma bosta? Mude... mas mude de verdade. BE BRAVE!

E lembre, você só vê (no outro ou na situação em que se encontra), o que conhece, o que vive, o que está dentro de você mesmo.

Assuma o seu lugar e use as experiências, cada uma delas, para se tornar uma pessoa melhor, porque no fundo no fundo nós somos, na pior das hipóteses uma seqüência de erros tentando melhorar.

Finalmente... AMAR cura.

Amar nós mesmos, nosso parceiro, nossa família, nossa vida, nossas escolhas, nossa profissão,  nossas experiências e até os nosso erros! Amar os erros como forma de gratidão porque foi através deles que você aprendeu!

Se você não está amando o que vive, como pode esperar ser feliz e satisfeito? Comprando coisas e mais coisas? I don't think so...

Se não faz nada pra mudar, a escolha é somente sua. “A vida é feita de escolhas, e escolhas são sempre feitas por você.” E vou te falar, se você não escolher, alguém (ou a vida) vai escolher por você e então encare viver na sombra das escolhas dos outros e pare de reclamar.

Fazer qualquer coisa por obrigação, no longo prazo (importante frisar isso porque é lógico que fazemos coisas no nosso dia a dia que não queremos fazer), aprisiona, amarra, enfraquece e acima de tudo nos isola do mundo e da nossa essência.

É o que eu digo para a minha filha sempre.
Seja BOA e CORAJOSA. Nos sentidos mais amplos que estas duas palavras podem expressar. O medo está escondido atrás de um monte de regras e convicções usadas por séculos pela humanidade.

Em todo lugar que há luz e um objeto, há sombra. E, a não ser que haja somente o vácuo, é a sombra, e somente ela, que traz profundidade e volume àquele que está sendo iluminado. Olhe do ângulo certo, use ela a seu favor.

Quebre, enfrente, chore.
Recalcule sua rota. Sorria sempre.
E vai... faça outra vez e outra e outra.

Ciclos são feitos de inícios e finais.

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Opinião: A puta, a louca e a bruxa

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